quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Modelos e critérios de ação pastoral

Modelos de ação pastoral
 
Tradicional
Comunitário
Evangelizador
Libertador
Situação
a que responde
Mundo sociologicamente cristão que potencia: uma preocupação excessiva pela vida interior da Igreja, uma segurança de elementos adquiridos por osmose na cultura ambiental e um reconhecimento social que facilitava à Igreja a realização das suas ações. Ao problema da massificação, colocado pelo modelo tradicional, em que os laços afetivos estão ausentes;

À perda do substrato sociológico sobre o qual assentava a comunidade paroquial e a pastoral anterior.
Ao cristianismo sociológico que não é manifestação de uma autenticidade na fé;

À incredubilidade como uma característica cultural.
 Procura responder a uma situação de injustiça tanto pessoal como estrutural .
Ideias eclesiológicas base
 Imagem da Igreja como sociedade perfeita que tem em si todos os meios para atingir os seus fins;

Autocompreensão da Igreja como figura piramidal.
Conceção da Igreja como mistério de comunhão que tem a sua origem no mistério de Deus;

 A eclesiologia do Povo de Deus que descobriu o caráter profético, sacerdotal e real de todos os membros da Igreja desde a vocação batismal, fazendo de todos agentes da vida pastoral.
São fundamentalmente duas:
- a missão como autentificação da comunhão;
 - sacramentalidade da Igreja que a faz significativa para o mundo e eficaz nele.
Conceção sacramental de esclesiologia onde a Igreja é percebida como sacramento de união entre Deus e a humanidade;

Eclesiologia das igrejas locais: cada diocese é o lugar onde a Igreja emerge na sua plenitude;

Distinção clara entre Igreja e Reino, à Igreja cabe estar ao serviço do Reino;

Diálogo com o mundo que faz com que a Igreja não seja alheia à situação do mundo.
Ação pastoral

 - É representada ativamente por sacerdotes e recebida passivamente pelos leigos;
- Fundamentalmente ações de culto sacramental, ao serviço das quais estão outras ações de pastoral;
- A vida comunitária tende a assegurar a prática e a receção sacramental;
- A pastoral da palavra tem como objetivo levar os homens à receção dos sacramentos;
- A ação catequética é entendida a partir da sua relação com os sacramentos;
- Caridade entendida de um modo assistencial;
A comunidade tenta ser um sinal vivo de salvação no meio da comunidade humana,

A intenção de evangelizar é muito forte,

A liturgia é geralmente própria;

Um dos pilares deste modelo é a participação de todos os membros na vida da comunidade,

A vida comunitária potencia ministérios, tanto ordenados como laicais,

A ação pastoral é edificada conjuntamente por toda a comunidade,
É importante potenciar as seguintes acções:
- iniciação cristã que inclua a celebração autentica dos sacramentos;
- fortalecimento da missão tendo como  preocupação os que estão mais alheios da vida da Igreja,
- promoção da participação do laicado;
- participação em locais e plataformas de progresso;
- presença pública da Igreja;
- fortalecimento e conversão das instituições temporais cristãs;
 - nova espiritualidade a partir do testemunho e dos sinais dos tempo;
- atenção à religiosidade popular

- este modelo situa a catequese como fonte de toda a práxis libertadora porque se adquire nela a consciência da situação injusta e da nova situação que há-de criar o evangelho;
- o povo de Deus é quem assume a missão de transformar a sociedade e de fazer do evangelho a força libertadora;
- as comunidades são a base de uma Igreja construída a partir delas;
- a Igreja é evangelizadora e ao mesmo tempo evangelizada;
- opção preferencial pelos pobres;
- a liturgia está muito ligada a este ideal de libertação.
Critérios
da ação pastoral     mais presentes 
Critérios que brotam da continuidade da missão de Cristo: critério teândrico, critério sacramental; Critérios que brotam da continuidade da missão de Cristo: critério teândrico, critério sacramental;

Critérios que brotam do caminho para o Reino: critério de historicidade, critério de abertura aos sinais dos tempos, critério de universalidade;

Critérios que brotam da presença e missão no mundo: critério de missão.
Critérios que brotam da continuidade da missão de Cristo: critério teândrico, critério sacramental e critério de conversão;

Critérios que brotam do caminho para o Reino: critério de abertura aos sinais dos tempos, critério de universalidade;

Critérios que brotam da presença e missão no mundo: critério de diálogo, critério da encarnação, critério de missão
 Critérios que brotam da continuidade da missão de Cristo: critério teândrico, critério sacramental, critério de conversão;
Critérios que brotam do caminho para o Reino: critério de abertura aos sinais dos tempos, critério de universalidade;
Critérios que brotam da presença e missão no mundo: critério de diálogo, critério da encarnação e critério de missão.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015


Reflexão acerca de uma realidade pastoral (critérios e modelos)

Nesta reflexão, usarei como base a realidade pastoral da diocese do Porto.
Nesta diocese, na realidade que conheço, o modelo de pastoral que vigora é o comunitário, em que a paróquia é entendida como uma comunidade de comunidades. No entanto, este modelo pastoral parece não estar a resultar pois nesta diocese assim como em tantas outras verifica-se a descristianização da sociedade e constata-se também uma realidade pobre de vida eclesial (doutrina, culto e testemunho).
        A partir da leitura do Plano Diocesano de Pastoral do Porto 2015/2020, podemos verificar que a diocese do Porto está consciente, desde há alguns anos atrás, da necessidade de mudança ao nível da pastoral. Este plano pastoral faz memória de acontecimentos como a celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II e de textos como as “orientações diocesanas de pastoral” publicadas em 1991 por D. Júlio Rebimbas, para dizer em seguida: “…Estes acontecimentos e estes textos despertam em nós a exigência de sermos comunidade missionária, Igreja em saída […] Dada a descristianização da nossa sociedade, deparamos, com uma menor frequência na participação da vida sacramental.” Pg. 25
       Também Emilio Alberich no seu manual de catequética fundamental, referindo-se ao modelo atual de pastoral, que de um modo geral vigora, diz o seguinte: “não tem sentido ficar agarrados a esta pastoral «tradicional» ou de «mantimento»: impõe-se uma profunda revisão e conversão, para chegar a ser autenticamente evangelizadora.”
       Desperta para esta necessidade de mudança, a diocese do Porto faz algumas propostas de mudança:
Importa envolver e integrar na acção pastoral os movimentos vocacionados para a acção cristã no mundo […] É preciso organizar a corresponsabilidade, a participação estruturada do Povo de Deus, pela valorização, cada vez mais convicta, ampla e decidida dos Conselhos Paroquiais de Pastoral. […] Os diversos secretariados diocesanos, a quem compete a animação pastoral dos variados sectores específicos, devem dar uma atenção privilegiada à comunhão, ao trabalho de complementaridade e de coordenação entre todos. Pede-se-lhes uma auscultação da realidade concreta, na esfera própria de cada um, assim como um contributo especializado para uma renovada evangelização e um esforço permanente de actualização teológico-pastoral. (pg.25 e 26)

Pela leitura das propostas referidas percebemos que a diocese pretende mudar para um modelo pastoral evangelizador “gerador” de cristãos autênticos.
Existem quatro sinais evangelizadores através dos quais a Igreja cumpre a sua missão na história e aporta a sua contribuição específica e insubstituível à realização do Reino de Deus:
- Diaconia: a comunidade cristã é chamada a manifestar uma tal capacidade de entrega aos demais que faça credível o anúncio evangélico do Deus de amor e do reino de amor;
- Koinonia: deve manifestar um novo modo de conviver e partilhar, responde ao anseio de paz dos homens de todos os tempos;
- Martyría: este sinal deve brilhar no mundo como anúncio libertador e chave de interpretação da vida e da história levando aos homens a esperança cristã;
- Liturgia: responde à exigência de celebrar a vida e de acolher e expressar no rito o dom da salvação.
A presença harmónica destes sinais, ou funções eclesiais constitui um critério de discernimento da autenticidade cristã e eclesial na ação pastoral.
Analisando o plano diocesano de pastoral para o quinquénio 2015-2020, percebemos que os objectivos lá expostos vão de encontro aos quatro sinais atrás referidos. Conforme podemos verificar no quadro abaixo:

Sinais evangelizadores
Objectivos do plano diocesano
diaconia
2.3. - “Envolver-se com obras e gestos, de modo a acolher, compreender e encurtar as distâncias que nos separam dos outros, tocando a carne sofredora de Cristo nos irmãos”
koinonia
2.2. - “Oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva.”
martyría
 2. - “Assumir a vocação de discípulos missionários.”
liturgia
2.5. –  “Valorizar a dimensão festiva e bela da fé, como fonte de um renovado impulso para se dar.”

Deste modo, na medida em que se cumprirem estes objectivos propostos também serão visíveis os sinais evangelizadores e consequentemente as acções desenvolvidas serão verdadeiramente pastorais.
Existem também alguns critérios que nos ajudam a perceber se uma determinada realidade é ou não uma acção pastoral, esses critérios podem ser divididos em três grupos: o primeiro grupo está relacionado com a continuação da missão de Cristo (critérios teândrico, sacramental e conversão), o segundo com o Reino (historicidade, sinais dos tempos e universalidade) e o terceiro com a presença e missão no mundo (diálogo, incarnação e missão). É a presença em simultâneo destes três conjuntos de critérios que nos permite considerar que uma acção é pastoral.

Como exemplo de análise de uma realidade pastoral específica, vou referir-me ao que conheço melhor: a catequese. A catequese é um meio através do qual se tenta continuar a missão de Cristo, no entanto, por vezes não satisfaz alguns dos critérios referidos anteriormente. Dentro dos critérios que por vezes não são satisfeitos, um deles é a atenção aos sinais dos tempos. O que mostra a minha realidade concreta como catequista do 4º ano é que as crianças a quem dou catequese são muito diferentes das crianças de há dez anos atrás, e constato que apesar do guia e do catecismo serem relativamente recentes (2010) já não tem uma linguagem actual, assim, para quem segue exclusivamente o guia e não está atento a estes sinais fazendo algumas adaptações para tornar acessível e cativante a mensagem, torna-se mais difícil passar a mensagem às crianças. Outro dos critérios que por vezes não é satisfeito é o critério de missão; o catequista é chamado a continuar a missão de Jesus, mas para isso é importante que faça a experiência do encontro com Deus para que depois, através dos seus gestos, continue a missão de Jesus. Concluo que, para que a catequese seja verdadeiramente uma acção pastoral, é importante fazer a sua avaliação periódica, de forma a estarmos atentos aos sinais dos tempos, pois a realidade está constantemente a mudar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015


O que distingue a Teologia Prática das outras áreas de saber teológico no contexto da universidade?

     A função da teologia prática consiste sobretudo em produzir discursos de fé em relação com as diversas práticas humanas dentro da cultura. Os discursos da teologia prática têm como horizonte sempre o Reino de Deus e referem-se aos cristãos baptizados como comunidade eclesial viva, Povo de Deus encarnado aqui e agora.

     A especificidade da teologia prática como domínio teológico, está marcada pela relação entre a prática e a teoria. O que distingue a teologia prática dos outros estudos teológicos é o facto do seu campo de estudo serem as práticas como objeto material. O interesse primeiro pelas práticas contribui para fazer da teologia prática um campo de estudos original. A teologia prática interessa-se por todas as práticas humanas na medida em que elas são actualmente ou virtualmente o lugar de actividade de Cristo no mundo.

      A teologia prática tem algumas características específicas: é um campo de estudos, ou seja, é uma recolha dos princípios e dos métodos a partir de várias disciplinas dentro de um contexto de formação, essencialmente universitário e de investigação; exige uma ancoragem na tradição cristã, e por fim, é pluridisciplinar uma vez que não pode prescindir da contribuição dos outros campos de estudos confessionais, e utiliza os métodos e resultados das ciências humanas.

    A teologia pastoral/prática tem como objeto material a vida (pastoral) da comunidade cristã e como objeto formal a ação eclesial, aqui e agora, na sua projectualidade, sob um horizonte hermenêutico da fé; ou seja, perceber o agir da Igreja, vendo não só o que é a Igreja, mas o que ela é chamada a ser.

     Deste modo, em toda a acção pastoral tem de estar unidos: o humano e o divino. Para que isso aconteça, a teologia pastoral usa um método: o discernimento teológico-pastoral, cuja acção acontece através de três dimensões em simultâneo, a dimensão Kairológica, a dimensão criteriológica e a dimensão operativa; e que tem como objectivo deixar emergir o Deus que está entre nós através da leitura dos sinais dos tempos. Este discernimento é uma leitura cristológica da realidade, sob o influxo do Espírito Santo que procura, por etapas, o crescimento na comunhão eclesial e na renovação eclesial.

    Concluindo, a teologia prática, procura elaborar um pensamento crítico a partir da experiência da fé usando para isso uma abordagem específica: compreender historicamente tendo em conta a análise das situações nas quais os sujeitos inscrevem as suas práticas crentes.

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Datas
Espaço geográfico
História Universal
Teologia Geral
Teologia Prática
Séc.XVIII   Europa -  Iluminismo  Pobreza da teologia pós-tridentina centrada apenas nalguns aspetos parciais da doutrina tradicional  
  Deísmo  
  Romantismo   Crise provocada pela investigação histórico-crítica sobre Jesus, a teologia acentou a sua pretensão de ser ciência
1760 Inglaterra -  Começa o período da revolução industrial Crise da noção de revelação decadência das ciências teológicas.
1774 Áustria -  Josefismo  Novo conceito de Igreja muito marcado pelos aspetos visíveis, especialmente pelos hierárquicos e dominado pela noção de sociedade perfeita Nasce a teologia pastoral
1789 França -  Revolução Francesa Excluída do ensinamento público, a teologia foi-se convertendo num âmbito de atividades quase exclusivamente clerical. A teolg. Pastoral é vista como uma arte sem cariz científico.
      Surge a teologia liberal - Schleiermacher é considerado o pai deste mov. que relativizou a autoridade da bíblia.  J.M. Sailer tenta dar à teologia pastoral uma maturidade científica.
Séc.XIX 1820-1840   Termina o período da Revolução Industrial Surgem reformas eclesiológicas da escola de Tubinga que influíram na Teologia Pastoral A Sagrada Escritura é a base da Teologia Pastoral.
1841       A. Graft tentou fundamentar cientificamente a teol. pastoral católica; mudou o nome de teologia pastoral para teologia prática apostólica.
1869 Roma -  Concílio Vaticano I O Conc. Vat I concebeu as Constituições Dogmáticas: "Dei Filius" e  "Pastor Aeternus" . Este Concílio representou um momento decisivo para a evolução da consciência teológica da época que se seguiu;
      A revelação entende-se como totalmente exterior ao homem. Com J.Amberger volta a ser utilizado o nome de teologia pastoral.
1879   Neotomismo  As tendências pós-vaticanas caracterizam-se por uma forte unilateralidade no tema da hierarquia e a autoridade na Igreja O centro do estudo é a figura do pastor.
Finais do séc.XIX       Época dos manuais de pastoral. A teologia pastoral é considerada como uma ciência aplicada.
Séc.XX 1914-1917 Europa -  1ª Guerra Mundial Crise da teologia liberal - dramaticamente marcada pela 1ª Guerra Mundial Na teol. prática protestante K.Barth converte a teol. prática em teol. da palavra ou teol. kerigmática.
      Época de grande criatividade eclesiológica; renovação da teologia eclesiológica. Renovação da teol. pastoral: começa a ser concebida de um modo mais eclesial, científico e teológico.
1939-1943 maioria das nações do mundo -  2ª Guerra Mundial Despertar eclesiológico que gira em torno do conceito de Corpo Místico de Cristo. O Corpo de Cristo é o eixo renovador da eclesiologia e da pastoral desenvolvendo uma interioridade no ser e no agir da Igreja. Surge a teologia sacramental. A teologia pastoral faz da sua missão algo mais efetivo . Surge a pastoral de conjunto na França. A ação pastoral da Igreja alarga-se através de movimentos como a Ação Católica.
1945-1948 Europa de Leste -  Guerra Fria Surge a "Nova Teologia". A catequese, a liturgia e a missionação renovaram-se. Intensa renovação da Teol. Pastoral na França e na Alemanha. O estatuto científico da pastoral volta a ser revalorizado no interior da teologia. 
1962 Roma -  Concílio Vaticano II Um grande teólogo deste período é Karl Rahner. Os principais documentos que surgiram do Concílio são: Dei Verbum, Lumen Gentium e Gaudium et Spes.  
1969 Chegada à Lua A reflexão teológica posterior ao Vat. II introduziu novos elementos na compreensão da revelação: é Deus que se dá a conhecer, supera-se uma visão intelectualista da revelação. Chegou-se à conclusão que a revelação é um elemento integrante de todas as religiões, e surgiu a necessidade de dialogar com os fiéis de todas as religiões A teol. Pastoral recebe um novo impulso graças a Karl Rahner.
1974     Começa a designar-se a teologia pastoral com a expressão teologia prática. Instaura-se um diálogo com as Ciências Sociais e humanas.
1989 Alemanha Queda do muro de berlim Novo paradigma teológico: Deus está dentro da realidade.      Fragmentação da teologia Toda a comunidade eclesial assume um protagonismo pastoral. Surge a realidade pastoral do laico militante.
Séc.XXI 2001-presente União Soviética, Afeganistão 2ª Guerra do Afeganistão Busca de unidade entre a pluralidade das teologias A teologia prática adquire um estatuto próprio ao lado da "sistemática" e da "fundamental". 
Síntese do artigo de Casiano Floristan
09.10.2015
Teologia Practica
 
Teoria y Praxis de la Accion Pastoral, Ediciones Sígueme, Salamanca, 1998, pp.31-122
 
 
O artigo em questão encontra-se dividido nos seguintes temas:
1 – A práxis de Jesus, 2 – A ação pastoral da Igreja primitiva; 3 – A ação pastoral na história da Igreja e 4 – História da Teologia Pastoral.
O autor começa a abordar o tema da práxis de Jesus alertando para o facto de que, no fundo de qualquer reflexão teológica está sempre uma determinada cristologia, e refere que uma forma de compreender a práxis de Jesus é examinar os modelos do seu comportamento relatados nos evangelhos.
Casiano enuncia algumas dimensões da práxis de Jesus:
- Jesus é o profeta do reinado eminente de Deus, e o centro da sua mensagem é a chegada próxima do reino de Deus e a conversão;
- Para o ajudar na tarefa de antecipar a chegada do reino de Deus, Jesus chamou doze discípulos e designou-os de apóstolos;
- O seu ensinamento e obra centram-se em duas realidades fundamentais: reinado de Deus e Pai.
Neste artigo, o autor analisa a práxis de Jesus através de três tipos diferentes de ações: os milagres, o perdão e a comunidade da mesa.
 
Relativamente ao segundo capítulo, “a ação pastoral da Igreja primitiva”, o autor explica que para conhecer a ação pastoral da Igreja primitiva é necessário examinar o NT e conhecer o contexto histórico da Igreja primitiva. A ação pastoral da Igreja primitiva começou a partir da ressurreição de Jesus, momento em que os seus discípulos se transformaram em testemunhas de Cristo morto e ressuscitado.
Uma das principais características da primeira comunidade cristã é a reunião em nome do Senhor partilhando a comida; para além desta, tinha também como características: a palavra apostólica, a comunhão fraterna e a oração.
 
A acção pastoral ao longo da história da Igreja nem sempre foi coerente com o seu ministério.
A comunidade cristã primitiva aparece como uma comunidade vivente e não como uma estrutura jurídica, presidida pelo bispo. Na Igreja primitiva o testemunho de vida e o ensinamento da palavra de Deus estão no primeiro plano.
A partir do séc. IV, quando a Igreja passa a ser a religião oficial do Estado, debilita-se a missão e o catecumenado e o Estado começa a intervir na vida da Igreja. A transição da época patrística para a Idade Média manifesta-se pastoralmente pelas implicações estatais que a Igreja tem durante esse tempo.
No séc. XVI, perante a insatisfação do povo relativamente ao clero, a débil religiosidade e a ruptura provocada pela reforma protestante, o concílio de Trento (1545-1563) tentou fazer uma revisão profunda dogmática e pastoral da Igreja. A partir deste concílio, começa a entender-se a Igreja desde dentro; a eclesiologia pós tridentina desenvolve com preferência a estrutura hierárquica e clerical da Igreja. Entre 1880 e 1900 começam as renovações bíblicas, litúrgica e patrística.
 
Ao longo da sua história, a teologia pastoral passou por várias etapas.
Numa primeira etapa, a teologia pastoral era exclusivamente pragmática e estava ao serviço de uma concepção estatal absolutista. Numa segunda etapa, a teologia pastoral passa a reflectir acerca do pastor e não do funcionário. Numa terceira etapa, considera-se que o agente da acção apostólica é a Igreja e não apenas o sacerdote; e por fim, numa quarta etapa, a teologia pastoral converte-se pouco a pouco numa doutrina acerca da direcção espiritual.
Contemporaneamente, a renovação da teologia e a aparição de diferentes movimentos cristãos de renovação ajudaram a conceber de um modo mais eclesial, científico e teológico a teologia pastoral ou teologia prática.