quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Datas
Espaço geográfico
História Universal
Teologia Geral
Teologia Prática
Séc.XVIII   Europa -  Iluminismo  Pobreza da teologia pós-tridentina centrada apenas nalguns aspetos parciais da doutrina tradicional  
  Deísmo  
  Romantismo   Crise provocada pela investigação histórico-crítica sobre Jesus, a teologia acentou a sua pretensão de ser ciência
1760 Inglaterra -  Começa o período da revolução industrial Crise da noção de revelação decadência das ciências teológicas.
1774 Áustria -  Josefismo  Novo conceito de Igreja muito marcado pelos aspetos visíveis, especialmente pelos hierárquicos e dominado pela noção de sociedade perfeita Nasce a teologia pastoral
1789 França -  Revolução Francesa Excluída do ensinamento público, a teologia foi-se convertendo num âmbito de atividades quase exclusivamente clerical. A teolg. Pastoral é vista como uma arte sem cariz científico.
      Surge a teologia liberal - Schleiermacher é considerado o pai deste mov. que relativizou a autoridade da bíblia.  J.M. Sailer tenta dar à teologia pastoral uma maturidade científica.
Séc.XIX 1820-1840   Termina o período da Revolução Industrial Surgem reformas eclesiológicas da escola de Tubinga que influíram na Teologia Pastoral A Sagrada Escritura é a base da Teologia Pastoral.
1841       A. Graft tentou fundamentar cientificamente a teol. pastoral católica; mudou o nome de teologia pastoral para teologia prática apostólica.
1869 Roma -  Concílio Vaticano I O Conc. Vat I concebeu as Constituições Dogmáticas: "Dei Filius" e  "Pastor Aeternus" . Este Concílio representou um momento decisivo para a evolução da consciência teológica da época que se seguiu;
      A revelação entende-se como totalmente exterior ao homem. Com J.Amberger volta a ser utilizado o nome de teologia pastoral.
1879   Neotomismo  As tendências pós-vaticanas caracterizam-se por uma forte unilateralidade no tema da hierarquia e a autoridade na Igreja O centro do estudo é a figura do pastor.
Finais do séc.XIX       Época dos manuais de pastoral. A teologia pastoral é considerada como uma ciência aplicada.
Séc.XX 1914-1917 Europa -  1ª Guerra Mundial Crise da teologia liberal - dramaticamente marcada pela 1ª Guerra Mundial Na teol. prática protestante K.Barth converte a teol. prática em teol. da palavra ou teol. kerigmática.
      Época de grande criatividade eclesiológica; renovação da teologia eclesiológica. Renovação da teol. pastoral: começa a ser concebida de um modo mais eclesial, científico e teológico.
1939-1943 maioria das nações do mundo -  2ª Guerra Mundial Despertar eclesiológico que gira em torno do conceito de Corpo Místico de Cristo. O Corpo de Cristo é o eixo renovador da eclesiologia e da pastoral desenvolvendo uma interioridade no ser e no agir da Igreja. Surge a teologia sacramental. A teologia pastoral faz da sua missão algo mais efetivo . Surge a pastoral de conjunto na França. A ação pastoral da Igreja alarga-se através de movimentos como a Ação Católica.
1945-1948 Europa de Leste -  Guerra Fria Surge a "Nova Teologia". A catequese, a liturgia e a missionação renovaram-se. Intensa renovação da Teol. Pastoral na França e na Alemanha. O estatuto científico da pastoral volta a ser revalorizado no interior da teologia. 
1962 Roma -  Concílio Vaticano II Um grande teólogo deste período é Karl Rahner. Os principais documentos que surgiram do Concílio são: Dei Verbum, Lumen Gentium e Gaudium et Spes.  
1969 Chegada à Lua A reflexão teológica posterior ao Vat. II introduziu novos elementos na compreensão da revelação: é Deus que se dá a conhecer, supera-se uma visão intelectualista da revelação. Chegou-se à conclusão que a revelação é um elemento integrante de todas as religiões, e surgiu a necessidade de dialogar com os fiéis de todas as religiões A teol. Pastoral recebe um novo impulso graças a Karl Rahner.
1974     Começa a designar-se a teologia pastoral com a expressão teologia prática. Instaura-se um diálogo com as Ciências Sociais e humanas.
1989 Alemanha Queda do muro de berlim Novo paradigma teológico: Deus está dentro da realidade.      Fragmentação da teologia Toda a comunidade eclesial assume um protagonismo pastoral. Surge a realidade pastoral do laico militante.
Séc.XXI 2001-presente União Soviética, Afeganistão 2ª Guerra do Afeganistão Busca de unidade entre a pluralidade das teologias A teologia prática adquire um estatuto próprio ao lado da "sistemática" e da "fundamental". 
Síntese do artigo de Casiano Floristan
09.10.2015
Teologia Practica
 
Teoria y Praxis de la Accion Pastoral, Ediciones Sígueme, Salamanca, 1998, pp.31-122
 
 
O artigo em questão encontra-se dividido nos seguintes temas:
1 – A práxis de Jesus, 2 – A ação pastoral da Igreja primitiva; 3 – A ação pastoral na história da Igreja e 4 – História da Teologia Pastoral.
O autor começa a abordar o tema da práxis de Jesus alertando para o facto de que, no fundo de qualquer reflexão teológica está sempre uma determinada cristologia, e refere que uma forma de compreender a práxis de Jesus é examinar os modelos do seu comportamento relatados nos evangelhos.
Casiano enuncia algumas dimensões da práxis de Jesus:
- Jesus é o profeta do reinado eminente de Deus, e o centro da sua mensagem é a chegada próxima do reino de Deus e a conversão;
- Para o ajudar na tarefa de antecipar a chegada do reino de Deus, Jesus chamou doze discípulos e designou-os de apóstolos;
- O seu ensinamento e obra centram-se em duas realidades fundamentais: reinado de Deus e Pai.
Neste artigo, o autor analisa a práxis de Jesus através de três tipos diferentes de ações: os milagres, o perdão e a comunidade da mesa.
 
Relativamente ao segundo capítulo, “a ação pastoral da Igreja primitiva”, o autor explica que para conhecer a ação pastoral da Igreja primitiva é necessário examinar o NT e conhecer o contexto histórico da Igreja primitiva. A ação pastoral da Igreja primitiva começou a partir da ressurreição de Jesus, momento em que os seus discípulos se transformaram em testemunhas de Cristo morto e ressuscitado.
Uma das principais características da primeira comunidade cristã é a reunião em nome do Senhor partilhando a comida; para além desta, tinha também como características: a palavra apostólica, a comunhão fraterna e a oração.
 
A acção pastoral ao longo da história da Igreja nem sempre foi coerente com o seu ministério.
A comunidade cristã primitiva aparece como uma comunidade vivente e não como uma estrutura jurídica, presidida pelo bispo. Na Igreja primitiva o testemunho de vida e o ensinamento da palavra de Deus estão no primeiro plano.
A partir do séc. IV, quando a Igreja passa a ser a religião oficial do Estado, debilita-se a missão e o catecumenado e o Estado começa a intervir na vida da Igreja. A transição da época patrística para a Idade Média manifesta-se pastoralmente pelas implicações estatais que a Igreja tem durante esse tempo.
No séc. XVI, perante a insatisfação do povo relativamente ao clero, a débil religiosidade e a ruptura provocada pela reforma protestante, o concílio de Trento (1545-1563) tentou fazer uma revisão profunda dogmática e pastoral da Igreja. A partir deste concílio, começa a entender-se a Igreja desde dentro; a eclesiologia pós tridentina desenvolve com preferência a estrutura hierárquica e clerical da Igreja. Entre 1880 e 1900 começam as renovações bíblicas, litúrgica e patrística.
 
Ao longo da sua história, a teologia pastoral passou por várias etapas.
Numa primeira etapa, a teologia pastoral era exclusivamente pragmática e estava ao serviço de uma concepção estatal absolutista. Numa segunda etapa, a teologia pastoral passa a reflectir acerca do pastor e não do funcionário. Numa terceira etapa, considera-se que o agente da acção apostólica é a Igreja e não apenas o sacerdote; e por fim, numa quarta etapa, a teologia pastoral converte-se pouco a pouco numa doutrina acerca da direcção espiritual.
Contemporaneamente, a renovação da teologia e a aparição de diferentes movimentos cristãos de renovação ajudaram a conceber de um modo mais eclesial, científico e teológico a teologia pastoral ou teologia prática.